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Founded in 1996

  Artigos por:   Adalino Cabral, Ph. D.  

Estorias Pequenas de Gente Grande por Adalino Cabral, Ph. D.

Maneira de Ser... Vietname em pdf Camarada

Maneira de ser do emigrante português * * *   Na América do Norte, isso da saudade toca mais na alma portuguesa porque o ambiente que domina--o que rodeia o imigrante diariamente--é outro completamente alheio ao que estava habituado; aliás, ao seu torrão português... O peixe fora do ambiente natural luta sempre por uma gota de água...   Quem está diariamente rodeado da sua cultura - a sua identificação pessoal e a força natural - não pode sentir falta dela - física, mental e espiritualmente. Esse ambiente faz parte integrante da pessoa. E essa pessoa faz parte integrante do ambiente. A interdependência domina e completa a vida inteira. É como mãe e filho(a). A criatura que vive dentro dela é dela. Quem sai dela, quer, por natureza, identificar-se com ela. Quer abraçar e beijá-la quando é criancinha. Mais cedo ou mais tarde, quer andar à roda dela por força de segurança emocional, carinho, atenção familiar - por força da sobrevivência. Depois vem a adolescência - fase descobridora e bastante insegura. Fase de existencialismo por excelência - provavelmente a fase mais existencialista de toda a vida humana. E só na pós-adolescência se estabelece uma confiança adulta, um amor mais seguro, um entendimento mais amplo de auto-realização, e um entendimento que confirma a aceitação da vida e das realidades dela. Isso tudo faz parte integrante da teia cultural do ambiente da vida quotidiana de cada ser humano. E quando ele pode participar, apreciar, expressar algo que é seu, torna-se sempre - para o e/imigrante - algo mais profundo, mais querido, mais apetitoso, porque não é coisa que ele saboreia todos os dias - embora gostasse que fosse mais frequente. É natural que o emigrante nem possa estar lá, no torrão, nem cá, na terra acolhedora, simultaneamente. Precisa de estar na terra nova, mas precisa da sua nativa também. Vai para a terra de berço e satisfaz o bichinho roedor. Faz-lhe a vontade - mata saudades. Ficando lá muito tempo, já fica com outro bichinho a roer-lhe a alma; outras saudades para matar. Regressa para viver a vida como vem fazendo há 20, 30, 40 ou 50 anos, ou mais, na terra que lhe abriu os braços quando mais precisava; terra onde ganha a vida, onde os filhos agora se vêm criando, ou já se criaram. A distância afasta o físico, mas não acaba com ele; desvia o coração, fazendo-o mais perto ainda e atenua o espírito, mas nunca mata a alma. É como o nosso Carlos do Carmo bem canta no seu rico e sentimentalíssimo fado: xPor Morrer uma Andorinha, Não Acaba a Primaverax. E a casa portuguesa - de quatro paredes caiadas - da nossa incomparável Amália Rodrigues com certeza terá sempre cachos de uvas douradas, e muitos beijinhos à nossa espera... E o xVelho Luísx - naquela taberna de bruma que deixara atrás do mar em Braga ou Monção ou Funchal ou Ponta Delgada - a brindar com vinho verde-de-cheiro-da-Madeira? Sim! Vamos! Vamos brindar e recordar tudo que ficou, irmão Luís! O cão também? Vamos todos cantar a bela balada Alexandrina do norte. Essa canção do vinho-mais-um-please-obrigadyou! E a ladra do cão de bruma nos acompanhará nesta noite-de-saudade-fri-a-luar-caloros-a-sonhar-do-Nordeste-de-outrora-não-só-baleias-de-Bèteféte-ai-Forriva-ai-Cabrites-e-Àdsine-também-de-Portuchusetts-não-só-Portufórnia-e-não-forget-Canéca-Rodalines... E no Canadá também se cantam canções do vinho... Que sensação. E a ladra distanciada do cão na aldeia? Ladra por mim - o velho Luís-entre-dois-mundos-físico-psicológicos lá-cá-cá-lá-cá-lá-lá-cá-cácá-lálá-lálá-cácaá-olálá-ocácaá-ocácáá-olálá-OLÁ-HELLO-GOODBYE! E agora, Luís?! E vamos ainda matar o bicho com aguardente da terra no nosso Nordeste da Ilha Verde - de São Miguel - nas nossas ilhas de bruma. E tomar um copo ou dois (ou três...) de vinho de cheiro, e comer ananases dos melhores da estufa fria Arruda. E aqueles licores de maracujá e ananás? E os inhames saborosos pxra caramba da Bretanha, polvo guisado, torresmos de molho de fígado, linguiça, morcela com ananás, fervedouros; e chupar em cana doce, deliciar mal-não-bem-assadas com açúcar queixo abaixo, massa sovada com arroz doce por cima de fatia, favas guisadas, arroz-de-lapas, tremoço, e as nêsperas maduras, caldeiradas de peixe, figos apanhados das próprias figueiras direitinhos pxra boca... Mmmmmm...Mmmmmmmx Ai!! E, ainda, as farturas com fartura, cozidos e caracóis do Continente... E o nosso bacalhau - o nosso sempre fiel amigo? E o medronho do Algarve? E a querida Ginjinha de Lisboa? E os riquíssimos pastéis de nata de Belém - sem igual para guloso fino-e-não-só seja onde for, a dobrada e vinho do Porto, o tinto ribatejano, o espadarte, maracujá... E espetadas de carne com sal e alho assadas num vime de louro à moda do norte da ilha da Madeira, e o riquíssimo vinho aperitivo da Madeira e Porto Santo. E que bordados lindos-no-lindo-Funchal! Ainda as sardinhas de Peniche, Nazaré, Sesimbra, Caldas da Rainha, ou ainda de Cacilhas; chicharros das águas nocturnas açorianas e madeirenses... A bagaceira de Coimbra, a  " b i c a "  (" Beba   isto   com  açúcar) e não só; sandes de fiambre nas cantinas das Universidades de Lisboa e Coimbra, sardinhadas e churrascos na movimentada Feira Popular, peixe espada nas tascas das ruas de Saldanha, cerveja-a-nacional, Sagres, Sumol, Larangina C, os presuntos e folares magníficos para morrer de Trás-os-Montes... Saudades? Não queiram saber! Quem nos dera ir à tourada no Campo Pequeno ou fugir à frente do touro em Serreta, Terceira - desafiando o bicho fortíssimo e evitando chifre-no-rabo - ou até correr atrás dos porcos na aldeia - Feteira Grande, Nordeste (o que já se fez em New Bedford, não só Açores) - em dia da matança, e, ainda, à noite, saltar a fogueira de louro no dia de São João... Que cheiro aromático tocando em todos os sentidos inesquecíveis da fibra humana! Até faria inveja ao maior xcagarrox de Santa Maria de todos os tempos - Cabral, Gonçalo - aquele Velho morador há tantos anos nos fascículos históricos dos Açores que, por infelicidade de séculos pretéritos, nunca chegou a provar o deliciosíssimo bolo na panela da Tia Mariquinhas...   Vem a ser aquela fome do que já foi, da fome que continua actualmente; aliás, aquele xgrande-poucox do nosso ser que chegou a sobreviver e que ainda nos ajuda a sobreviver, sem nos enlouquecermos por completo em terras alheias. A sobrevivência da cultura em terras alheias depende por completo da vontade do coração português. O sentimento é o que salvaguarda a própria cultura nativa no coração. E o que se torna, por necessidade, companheiro profundamente indispensável como identidade própria mais chegada ao espírito da alma portuguesa - do ser-se português. É, ao fim e ao cabo, o instinto pessoal/social que preserva/fortalece a gente da nossa gente em terras acolhedoras. Isso abraça-se com toda a força porque fazia parte integrante da vida de outrora na terra. Deseja-se continuidade do mesmo - do ser-de-si-e-sempre. É precisamente isso o que faz ainda mais apreciar-se a cultura própria.   É isso, sem a mínima sombra de dúvida, que traz, e dá, vida ao espírito da alma lusitana... Para se sentir mais assiduamente a saudade, é preciso não ter o que se tinha, e é preciso estar-se num estado entre dois mundos distintos, até certo ponto; aliás, estar-se num estado xlimbolandêsx entre aqueles dois (ou mais) mundos... E estar-se desejosos, sem se satisfazer o desejo. Como o grande Luís Vaz de Camões possivelmente acreditara, seria isso deveras uma forma especial de se “querer estar preso por vontade”???

Talvez apenas Neptuno ou Zeus sejam os únicos que o saibam... Talvez o velho do Restelo? Possivelmente o tio Francisco Caetano da Feteira-a-Grande-não-Pequena dos nossos tempos? Ou, porventura, o Velho Luís - longe da sua terra - com o seu verde-vinho num velho-bar-luz-taberna-acesa em noite fri-a-luar a recordar aldeia velha - o pai, a mãe, a casa, a noiva e o cão também? A alma? O vento lá fora sabe tudo. Tudo! O velho Luís também...

A verdade é que a “Limbolândia” se refere não apenas ao estado de ausência, como e migrantes, mas também como i migrantes - até na morte. Porque quem fica, sempre chama por aquele, e aquilo, que se foram. E quem foi - e ainda é vivo - sempre chama por aquele, e aquilo, que ficaram atrás. Já aquele que morre deixa a saudade toda atrás, o que agora carrega ultra-pesadamente nos ombros de quem fica a sofrer entre aqueles mundos limbolandeses, agora em tripulo lá (torrão), cá (terra acolhedora) e infinidade (morte).

Para se sentir - ou para se viver – essa experiência pessoal e única, é preciso conhecer em primeira mão o detestável vazio da solidão - da separação do e/imigrante. É preciso partir do torrão e viver na estranja - não apenas por duas, três ou cinco semanas de férias. E o deixar-se tudo e todos atrás menos o corpo, a memória, o coração... que são transportáveis seja lá para onde for. A alma, porém, fica dependurada entre o lá e o cá; o primeiro mais lá, e depois meio cá, mas nunca completamente na íntegra - puxando sempre pela manga da saudade, fenómeno português que mexe seriamente na disposição completa do ser humano - física, mental e espiritualmente.

Só através de tal experiência própria é que se pode realmente sentir o que outrem sente. Embora seja paladar variável, a temática essencial da e/imigração é virtualmente igual para todos. Sim, todos aqueles que passaram - ou passam - além do Bojador - além da dor. Sim, os milhões do Oriente que passaram agonisticamente pela Ilha do Anjo, no grande Pacífico. Sim, os milhões de europeus que passaram pela Ilha Ellis - Ilha das Lágrimas, no Atlântico - em vapores ligeiríssimos por semanas e meses no alto mar. Ou ainda - como hoje em dia - em aviões supersónicos que deslocam pessoas - espantosamente em poucas horas - da sua própria cultura para os meios de outra completa e chocosamente alheia na estranja.

A emigração - partida, morte emocional aos poucos-muitos-poucos (porque emigrar não é morrer só um pouco!) - ressuscita quando se matam saudades para se viver. Isso é essencialmente o que tantos não-emigrantes não percebem, muitas vezes pensando que o imigrante se agarra apenas ao passado, querendo só viver uma vida de outrora. Não é bem assim.

Como é que não se pode olhar para trás? Podemos rasgar um bocado de tecido, mas é preciso remendá-lo para que possa continuar a servir...

Contudo, o emigrante vive cá porque foi deslocado por forças política-economicamente injustas e desnecessárias na sua terra. Hoje em dia, não se relata o mesmo cenário ditatorial, graças ao histórico grito da “Revolução dos Cravos”, ou seja, o golpe de estado de 25 de Abril de 1974. E esse valioso grito continua: “O povo unido jamais será vencido!”

   O lusitano nunca quis parar de ser português. Conserva hoje - com uma força louvável de querer viver - o que tem em reserva na alma, no espírito, nos costumes herdados... E exprime o seu afinco em alturas próprias que, por necessidade, acaba por matar aquele bichinho roedor que rói mais e mais naquela fibra tão especial, e tão portuguesa, da alma do ser. A saudade canta...

Venham festas! Venham convívios! Venham abraços de familiares e amigos queridos que, através dos anos, vinham sofrendo um vazio inexplicável - um vazio de torturas que só a solidão e a separação podem fornecer; que no primeiro toco abraçal, completam o círculo inteiro, unindo por completo o ser português física, mental e espiritualmente. A verdade é que o português trouxe muito do passado consigo. Porém, na medida em que o mundo que deixou atrás se foi desenvolvendo, na estranja não o fez/nem o faz com a mesma assiduidade - embora tenha a vontade e o auxílio de uns poucos jornais, programação televisiva/radiofónica, e programas culturais de língua portuguesa....

Por natureza, a cultura da terra nova sempre tenta dominar. Embora não se queira, a sua influência em tudo - psico-sócio-económica-política-linguística-culturalmente - sempre acaba por penetrar nas gretas cerebrais da vida quotidiana do emigrante...

A aculturação faz bem porque ainda se aguenta seguro o ser-se português, enquanto vagarosamente se vai absorvendo a cultura nova. Já a assimilação disturba a cultura de origem por completo ou virtualmente por completo, com as costas completa ou virtualmente viradas p’ro ser-se português; aliás, contra os costumes/cultura dos antepassados. Não se pode permitir isso. A pluralidade vale muito...

A distância do ambiente natural diz muito ou tudo. E, como exemplo, tal verifica-se precisamente na própria distância de Portugal continental com os Açores/Madeira. Antigamente, as diferenças eram muito maiores. Contudo, ainda hoje em dia - embora o progresso moderno tenha avançado consideravelmente - muitos dos costumes antigos ainda sobrevivem na sua originalidade nos arquipélagos dos Açores e da Madeira. E, quanto mais afastados dos grandes centros, tanto mais são conservados e protegidos. 

(Embora haja uma ou duas freguesias pelos lados de Coimbra que ainda a celebram, onde é, por exemplo, que se vai encontrar a Festa do Divino Espírito Santo no resto do Continente onde ela se originou, senão nos Açores, Madeira, Cabo Verde, Brasil, a Diáspora... honrosa e orgulhosamente onde se perpetuou até estes dias, graças aos primeiros povoadores continentais e emigrantes ilhéus mais tarde?)

Tudo que seja do povo não é perdido logo que haja amor e a tal vontade de continuidade que serve como elo de ligação de identidade às origens e ao espírito de querer ser-se português por natureza e pelo amor às raízes e à Pátria-mãe. Nos Estados Unidos - e quem diz Estados Unidos, diz o Canadá, as Bermudas ou qualquer outro país acolhedor - aprecia-se isso ainda com mais assiduidade, mais calor, mais vontade, mais fé, mais sensibilidade, mais sentimentalismo - mais saudade
.

Não é de admirar. Pois a identidade de um povo relaciona-se com os feitios, os costumes, a cultura - afinal, com a sua própria alma. Entretanto, há gente da nação que, infelizmente, nem sabe dizer qual é a sua própria cultura.

Dizem ser americanos, mas a composição do indivíduo antigo nado na América do Norte é um pouco disto, um pouco daquilo, e vamos embora com um “hot dog” ou um “hamburguer” numa mão, e uma “Coca-Cola” ou “Pepsi” na outra... É doido pelo beisebol, ice cream, apple pie, peanut butter e Chevrolet no seu “driveway”. E, na Nova Inglaterra, adoram os “clam bakes” - tradição ainda dos índios norte-americanos desde a entrada dos peregrinos ingleses em Massachusetts, em 1620... Venham mais ameijoas, lagostas; e é preciso não esquecer as batatas, o milho, as cebolas, os “hot dogs”, linguiça (influência portuguesa mais tarde), muitos “clames” e “bia” para beber...

And, not-to-forget-a-melancia-fresca-e-doce-thank-you-venha-mais-sim-senhores-yes-sir!! Thank-you-venha-mais-sim-senhores!

Aqueles que emigraram, ou são filhos/ netos/ bisnetos... de emigrantes, e que aprenderam os costumes das raízes - da cultura - orgulham-se mais dos seus antepassados e suas manifestações culturais. Eles demostram viva e orgulhosamente esse lado pitoresco através de actividades que reflectem os egrégios avós, como, por exemplo, a sobrevivência do idioma português - em todos os seus feitios (inclusivamente o portinglês) - que é, na verdade, o/a melhor embaixador/embaixatriz da cultura do povo, e a presença em diversos ambientes acolhedores, e que hoje é utilizada por mais de 200 milhões de falantes em oito países lusófonos, inclusivé ex-territórios pequenos e tantos outros na Diáspora por todos os quadrantes do globo.


A identidade da pessoa associa-se à auto-apreciação dela e ao ambiente já existente e criado ou adulterado por necessidade. E, na medida em que as coisas vão mudando, vamos mudando um pouco também, mas não por completo, porque, pelo menos no caso do e/imigrante, a sua vida - a sua maneira de ser - no seu-país-fora-do-seu país - tem muito a ver com tudo que ele trouxe consigo na bagagem da vida de outrora. Tem tudo a ver com a sua maneira de ser.

Vale manter isso tudo vivo para se viver em melhor estado entre dois, ou mais, mundos criados pela coexistência forçosa da e/imigração. Embora haja quem diga que o materialismo serve como a própria sobrevivência de muita gente, há também quem diga - até mais enfaticamente - que “o homem não vive só do pão”. E o coração? E o espírito? E a alma? E a saudade?! E Deus...

Os homens e mulheres são gente e não máquinas de dinheiro, trabalho, egoísmo... São seres repletos de sentidos, dores, alegrias, lágrimas, regozijos, cultura... E o matar saudades ao português é fazê-lo viver melhor. Manifestação saudável - em corpo, mente e espírito. Manifestação humana sentimental. Manifestação portuguesa de raíz. Manifestação de relevo extraordinário perante e/imigrantes fora das suas águas naturais...

O e/imigrante é produto do seu ambiente - ou, melhor, dos seus ambientes - como todos – e, embora possa não apreciar tudo da sua própria vida passada pré-emigratória - por motivos absolutamente justificáveis - ainda continua a gostar de muito. E é precisamente esse “muito” que o ajuda a viver mais tranquilamente num ambiente mais seguro e pacífico.

Ele também gosta da mudança, e do bem que ela pode proporcionar quanto ao melhoramento da vida, muito em especial a paz e o amor - calor humano obrigatório em terras por vezes desequilibradamente frias de diversos sentidos - que surgem da justiça social exercida por ilustres cabeças de estado que sabem dar valor justo à vida de todos os seres humanos.

Afinal, o mundo não pertence - nem nunca deve pertencer - aos caprichos de fachistas, mas, sim, ao Povo; aliás, a todos a remar na mesma direcção e no mesmo barco: o célebre “N.R.P. Querer-Viver-Haja-Saúde-Vamos-Embora-SPF!”

Há gente que atribui “culpas” a outros de serem antiquados, arcaicos, ou da velha guarda, e até cheios de complexos. Há ainda gente que não sabe, nem nunca saberá, o que verdadeiramente custa (e já custou a muitos e muitos) a liberdade.

Isso não vai mandar terramotos ou vulcões destruidores pelo mundo fora. Nem abalos desses tão minúsculos impressionarão minimamente os sentimentalistas - apreciadores de costumes bonitos identificados com a maneira de ser de um povo, porque a saudade chama. E, quem não a mata, morre - de espírito, ou mais ainda... Que vivam, e que deixem viver...

Que os meninos de hoje aprendam dos pais, avós, bisavós e não só. Que aprendam muito a sério que a liberdade sempre foi caríssima - e continuará sempre a sê-lo - e que deve, e tem mesmo que, ser usada com juízo, respeito e moderação; não abusada disparadamente sem fronteiras... Embora haja quem não queira aceitar a realidade, a verdade é que tudo tem limites, menos os céus e os sonhos voadores. E dentro dos céus e dos sonhos, procura-se a esperança em terra firme... A cabeça é que manda, enquanto o coração anda sempre a espiar. Aliás, não apenas cabecinhas dos jovens, mas, sim, cabeças dos adultos - dos pais e não só. Pois, dizem que, até certo ponto, os filhos espelham os pais—p’ró bem ou p’ró mal...

O que custou/custa/custará a liberdade a sério? Que sempre abracemos o 25 de Abril. Que seja sempre respeitado por todos, e que os sacrifícios de tantos jamais sejam esquecidos pelos anos fora. Que venham sempre cravinhos rubros...

Vale a pena? O nosso ilustre Fernando Pessoa - no “Mar Português” - esta convicto (e eu também!) de que “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Pura e simplesmente. Doa a quem doer...

São simplesmente saudades, e pronto! E quem se encontra prolongadamente bem afastado do seu berço de origem - por qualquer que seja o motivo - a saudade multiplica-se extraordinariamente de forma apenas percebida - e sentida - pelo próprio imigrante e mais ninguém, quer queiram quer não - pure and simple! After all, a cultura de um povo é o retrato do próprio povo. O próprio povo espelha a cultura. E a sua maneira de viver, e de querer viver. E, afinal, a sua maneira de ser...


Sempre p'rà frente!   

Adalino Cabral
Nova Inglaterra - EUA 
Domingo, dia 25 de Abril de 2004.

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