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PALCUS Gala 2008 in California
Manoel de Oliveira movie "Enigma" March 7, 2008

 Eles vieram em Paz...
Artigos pelo
Dr. Manuel Luciano da Silva

 

 

 

For further information about Dr. Luciano's work, visit his website,
published in both English and Portuguese: www.dightonrock.com

O filme "Cristóvão Colombo, O Enigma"

vai ser exibido na sexta-feira, 7 de Março de 2008, 7PM no Teatro da  "Brooklyn Academy of Music".

Para bilhetes chamar 718-636-3456

Histórias da História por Dr. Manuel Luciano da Silva

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A ODISSEIA DOS JUDEUS PORTUGUESES!
Por Manuel Luciano da Silva, Médico com diapositivos coloridos.

Realizada no Domingo, 21 de Fevereiro de 1999, na aula máxima do novo edifício da
Faculdade de Economia da Universidade de Roger Williams, em Bristol Rhode Island.

A sessão foi iniciada pelo Sr. Steven Gorban, Director do Grupo chamado “Saudades - Projecto Sefárdico”, cujos objectivos são aproveitar todas as boas vontades dos Judeus Sefárdicos Portugueses e unir irmamente em comunhão todos os Portugueses espalhados pelo mundo.

E o Sr. Gorban acentuou: “Há quinhentos anos, devido à Inquisição, os Judeus Sefárdicos Portugueses têm andado separados dos outros portugueses.

Chegou a hora de iniciarmos um novo período chamado “Os Próximos 500 Anos” e empregarmos as nossas energias a fomentar a amizade e o respeito mútuo entre todos os portugueses, judeus sefárdicos, católicos ou muçulmanos.”

O Dr. Luciano iniciou a sua apresentação mostrando o mapa do Oceano Atlântico, lembrando que foi há 125 milhões de anos que se iniciou a separação dos continentes quando Portugal estava ligado à Nova Inglaterra! E a América ainda continua a afastar-se da Europa pelo menos uma polegada por ano e é por isso que existe uma grande ameaça de um terramoto gigantesco na Califórnia!

A teoria da separação dos continentes deve-se ao meteorologista alemão, Alfred Wegener, que em 1915 escreveu o livro “As Origens dos Oceanos”.

Foi muito criticado pelos geologistas, mas hoje a teoria da separação dos continentes é totalmente aceite! Foi devido à separação dos continentes que nasceu também o Mar Mediterrâneo (mar no meio da terra) resultando daí muito mais tarde vários países à sua volta.

Depois do último período glacial, há dez mil anos, a raça humana começou a espalhar-se pela Europa e os povos da Mesopotâmia e do Médio Oriente começaram a usar o Mediterrâneo para pescar, transportar e comercializar. As honras devem ir para os Fenícios - hoje Líbano - que, por possuírem abundância de cedros especiais nas suas montanhas, começaram a construir os seus barcos típicos permitindo-lhes poder navegar com facilidade por todo o Mediterrâneo. Talvez por terem necessidade de comunicação, foram os fenícios que inventaram as CONSOANTES que hoje usamos no nosso alfabeto.

Os seus vizinhos gregos inventaram as VOGAIS e a PONTUAÇÃO. Foi o matemático Pitágoras (famoso pela sua hipotenusa) que inventou as cinco linhas da música, assim como os sinais de pontuação: ponto, coma ou vírgula (pausa) e os dois pontos chamados COLON. Devemos notar que Cólon em grego é igual a Zarco em judaico. Os egípcios mantiveram-se nas margens do Nilo, onde basearam a sua civilização na agronomia e na agricultura. Preferiram, por isso, navegar apenas no Nilo.

Os outros povos, como fizeram os fenícios e depois os gregos e os romanos e ainda mais tarde os árabes, passaram a usar frequentemente o Mediterrâneo e até ousaram passar o Estreito de Gibraltar, vindo a estabelecer-se ao longo da Europa banhada pelo Atlântico, como aconteceu nas costas do futuro Portugal.


NOMES DE PORTUGAL

Os gregos - há mais de cinco mil anos - deram à península que hoje compreende a Espanha e Portugal o nome de Península Ibérica, ou IBEROS, que quer dizer, “MAIS OCIDENTAL” ou “PÔR-DO-SOL”.

A seguir vieram os Judeus, considerados o “Povo da Diáspora”, e estabeleceram-se - há mais de quatro mil anos - na Península Ibérica e passaram a ser denominados por SEFÁRDICOS, que quer dizer igualmente “MAIS OCIDENTAL” ou “PÔR-DO-SOL”.

E finalmente vieram os Mouros, que conquistaram a península e passaram a chamar ao nosso território ALGARVE, que quer dizer também “MAIS OCIDENTAL” ou “PÔR-DO-SOL”.

Os Romanos chamaram à nossa terra natal “LUSITÂNIA”, que quer dizer TERRA DE LUZ. Isso é verdade, porque ainda hoje Portugal é, de todos os países da Europa, o que tem maior número de horas-sol durante todo o ano.

O conceito de se denominar a parte mais ocidental do Mar Mediterrâneo “Ocidental” - iberos, sefárdico e Algarve - pode ainda hoje ser verificado pelos topónimos que existem na parte mais norte e ocidental de Espanha, que tem o nome de “Finis Terra”. O mesmo se passa na ponta mais ocidental da Ilha Britânica ou Inglaterra, que se chama “Land’s End.

Todavia, com tanta variedade de nomes, os portugueses preferiram criar o seu nome próprio: Portus + Cale, que deu origem a PORTUGAL (“Portus” da cidade do Porto e “Cale” de Gaia).


JUDEUS PORTUGUESES

Depois desta longa introdução geográfica, mas necessária, passei a mostrar diapositivos sobre Portugal. O primeiro foi do Castelo de São Miguel, em Guimarães, onde nasceu o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques. Salientei que o conselheiro deste rei se chamava Egas Moniz e era um judeu sefárdico português. Mostrei também a seguir uma fotografia colorida do Professor Egas Moniz, natural de Avanca e descendente directo do primeiro Egas Moniz e que, passados oitocentos anos, ganhou, em 1949, o primeiro Prémio Nobel da Medicina para Portugal por ter descoberto a lobectomia e a angiografia.

Coimbra, a cidade onde foi fundada a primeira Universidade de Portugal, em 1290, pelo Rei D. Dinis e também onde se concentraram os Judeus Sefárdicos Portugueses, “médicos formados na nobre e vetusta Universidade de Coimbra”, onde também se formou o Dr. Luciano da Silva, graduado pela mesma Faculdade de Medicina em 1957.

Os médicos sefárdicos portugueses foram médicos pessoais dos vários Reis de Portugal. Abraão Zacuto foi médico do grande rei D. João II. Era também astrónomo e foi ele que, como matemático, escreveu o “Almanach Perpetuum” e fez também as Tábuas de Navegação, que mais tarde foram usadas por outro judeu sefárdico português, de nome Cristóvão Cólon, quando fez a viagem às Caraíbas em 1492 e também pelo navegador Vasco da Gama.

Foi durante a estadia de Zacuto em Tomar - nome judaico que quer dizer “montanha” - que se construiu a Sinagoga do Arco ou do Zarco, que está agora aberta ao público e da qual mostrei diapositivos coloridos.

Outro judeu que fez parte da armada de Cristóvão Cólon chamava-se Mestre Luís de Torres e, além de ser poliglota, era também judeu sefárdico português. Isaac Abravanel foi médico do Conde de Bragança, mas, como o Conde foi condenado à morte por estar envolvido numa conspiração contra o Rei D. João II, este médico sefárdico português fugiu para a Turquia, chegando a ser médico particular do Sultão Mahmud II, o Grande.

José Vezinho (de Viseu) foi também médico do rei. Era matemático e astrónomo e trabalhou também nos projectos de navegação da Escola de Sagres. Este judeu sefárdico português foi membro da Comissão que reviu o plano de Cristóvão Colombo para chegar à Índia indo pelo ocidente.

Até à Inquisição (1497), TODOS os reis de Portugal foram tratados por médicos sefárdicos portugueses! Duma maneira geral, todos os reis de Portugal trataram bem os judeus sefárdicos portugueses, porque lhes reconheciam muita capacidade profissional, não só no campo da medicina e da cirurgia, mas também na matemática, nas finanças, como banqueiros e no artesanato.

INQUISIÇÃO

Com o casamento do Rei D. Manuel I e a filha dos Reis Católicos de Espanha, em 1496, a Inquisição que tinha começado em Espanha em 1492 iniciou-se em Portugal em 1497.

Com esta medida trágica, começaram a sair de Portugal todos os judeus que eram ricos e que tinham meios para o fazer. Até o famoso Abraão Zacuto foi forçado a sair de Portugal! A lei da Inquisição mandava que todos os judeus se convertessem ao catolicismo ou então estavam sujeitos a serem queimados em Auto-de-Fé. Por esta razão, muitos dos judeus sefárdicos portugueses fugiram para as montanhas da Beira Alta e da Beira Baixa, tornando-se cripto-judeus.

Os que se converteram ao Cristianismo passaram a ser chamados “marranos” (de porcos) ou “conversos”, ou Cristãos novos. Foi mostrado o diapositivo do auto-de-fé na Praça que é hoje a Praça do Comércio em Lisboa e é sem dúvida a página mais negra da História de Portugal!

O médico mais célebre do século XVI foi o judeu sefárdico Garcia de Orta, que foi um brilhante professor e escritor na Escola Médica de Goa. Mesmo depois de morto, os inquisidores desenterraram-no para queimar os seu esqueleto num auto-de-fé!


EXPULSÃO DOS JUDEUS

Com a expulsão dos médicos sefárdicos portugueses, assim como dos vários eruditos judaicos, Portugal sofreu uma perda terrível de valores intelectuais e até à data ainda não conseguiu recuperar desse “desesperatum” (desespero). Portugal perdeu muito com a Inquisição, mas as outras nações ganharam com a inteligência e qualidades profissionais dos judeus sefárdicos portugueses.

É depois da Inquisição que passamos a ver nomes famosos de médicos sefárdicos portugueses em todos os países da Europa, não só como professores das faculdades de medicina, mas até médicos privados dos chefes do governo, reis e rainhas.

Assim, vemos nomes de médicos portugueses em lugares de destaque, tais como Costa, Da Costa, Bueno, Cardoso, De Castro, Da Silva, Fonseca e Nunez.

João Rodrigues Castelo Branco, também conhecido por Amatus Lusitanus, além de um bom médico foi botanista em Antuérpia e chegou a ser professor de medicina em Ferrare. Chegou a ser o médico que tratou do Papa Julius III. Daniel Fonseca fugiu para França e depois foi médico do Príncipe de Budapeste. Judah Abravanel foi para Nápoles, Génova e Veneza, tornando-se um médico famoso.

Filoteu Montalto, depois de fugir de Portugal, foi para Florença chegando ser médico particular do Duque Frederico. Depois, foi chamado para tratar da Rainha Catarina de Medicis, em Paris, França, que sofria de enxaquecas e ele receitou-lhe pó de tabaco, que, naquele tempo, “eram as ervas milagrosas”. Jacob Martinho foi para a Itália, onde chegou a ser professor de medicina na Universidade de Roma e médico do Papa Paulo III.

Rodrigues da Fonseca foi professor de Medicina em Pisa e Pádua. Fabrísio de Água Pendente foi professor de anatomia em Bolonha e foi ele que descobriu as válvulas nas veias profundas das nossas pernas e coxas. Rodrigo de Castro foi para Hamburgo, na Alemanha, chegando depois a tratar da Rainha Cristina da Suécia. Uma grande parte dos judeus sefárdicos portugueses fugiu para Amsterdão, construindo a maior Sinagoga que há no mundo fora de Israel.

É nesta cidade que encontramos muitos nomes de médicos sefárdicos portugueses, como Fernando Mendes, que depois foi para Londres, chegando ser médico particular da Rainha Catarina de Bragança, mulher do Rei Carlos II, que sofria de gota; este médico judaico sefárdico português receitou-lhe, pela primeira vez na Inglaterra, a colchicina, medicamento que ainda se usa hoje no mundo inteiro para o tratamento do ataque de gota! Os judeus sefárdicos portugueses foram para o norte de África, para a Turquia, Holanda, Itália, França, Alemanha e Inglaterra. Foram os judeus sefárdicos portugueses que ensinaram os ingleses a fritar peixe, porque levaram com eles o azeite português!

Foi a Rainha Catarina de Bragança que ensinou os ingleses a beberem o “chá das cinco” e levou também com ela o uso do garfo para a Casa Real Inglesa, e até as tangerinas!

Foi esta Rainha que deu o nome ao maior Bairro da Cidade de Nova Iorque, que se chama hoje “Queens” em sua honra! Não tive acanhamento nenhum em afirmar na minha conferência que a Primeira Rainha de Bristol era 100% Portuguesa, porque no primeiro mapa das ruas de Bristol (1680) aparecem ruas com o nome de “King” (em honra de Carlos II), de “Queen” (em honra da Rainha Catarina de Bragança) e ainda outra rua que dá seguimento a esta e que tem o nome de “Catarine Street”.

Os judeus sefárdicos portugueses emigraram também para os Açores, Madeira, Cabo Verde, Guiné e Brasil, envolvendo-se na indústria (do açúcar) e nas outras profissões, incluindo a medicina. Mesmo da Holanda deram o salto para Recife, no norte do Brasil, porque os holandeses tinham roubado a Portugal este território. Seguiram depois para Curaçau e Nova Amesterdão, que mais tarde mudou o nome para Nova Iorque, quando os ingleses a conquistaram.

Mas os judeus sefárdicos portugueses, andando sempre a procurar um lugar onde houvesse liberdade religiosa, vieram para Newport, porque o fundador do Estado de Rhode Island, Roger Williams, garantia liberdade completa de religião. Foi em Newport, R. I., que os judeus sefárdicos construíram a Sinagoga Touro, a mais antiga dos Estados Unidos e que se encontra presentemente em óptimas condições; é uma cópia em ponto pequeno da grande sinagoga de Amsterdão, na Holanda.

De notar que o nome é Touro à portuguesa e não Toro à espanhola. O Presidente da Comissão e um dos fundadores da construção da Sinagoga de Touro foi Aaran Lopez, nascido em Lisboa, Portugal, e foi também eleito o primeiro Presidente da Sinagoga Touro!

Foi nesta sinagoga de Newport que o Dr. Mário Soares, como Presidente da República Portuguesa, há dez anos, pediu desculpa aos judeus sefárdicos portugueses pelas atrocidades de que os seus antepassados foram vítimas, na perseguição religiosa devido à terrível Inquisição em Portugal.

Mostrei depois diapositivos do cemitério judaico de Newport, onde vemos os nomes de Abraham Touro, Judah Touro, Aaron Lopez, Moses Levy, Moses Seixas, Jacob Rodrigues Rivera e Meyer Benjamin, todos judeus sefárdicos portugueses!

Os judeus sefárdicos portugueses de Newport tornaram-se comerciantes, importadores e exportadores e correspondiam-se em português, como podemos verificar pelas suas cartas escritas em português correcto e que estão arquivadas na Sociedade Histórica de Newport!

Muitos judeus sefárdicos portugueses tornaram-se famosos na América, tais como Bernard Mannes Baruch, conselheiro de oito presidentes americanos, Moses Seixas, fundador do Banco de Rhode Island, Dr. Samuel Nunez, que chegou a ser médico do Rei João V em Portugal, e Moses Michael Hays foi fundador do Banco de Boston, e muitos outros. Uma coisa é certa: os judeus sefárdicos portugueses sempre honraram o seu nome e tradições portuguesas em todos os países onde viveram! Basta isto para lhes prestarmos as nossas homenagens! Devemos juntar à lista dos famosos judeus sefárdicos portugueses Pedro Nunes, grande matemático e inventor do nónio, assim como Baruch Espinoza, eminente filósofo do século XVII.

MONTICELLO

Durante a minha conferência, fui mostrando paisagens coloridas de Portugal para tornar mais leve a apresentação de tantos nomes e também para criar uma certa expectativa na minha apresentação. Da cidade de Newport demos uma saltada para Monticello, no Estado de Virgínia. Aí, visitámos a famosa casa construída pelo Presidente Thomas Jefferson, o autor da Declaração da Independência da América. Também com a ajuda de fotografias coloridas mostrei o aspecto magnífico em que se encontra hoje aquela bela casa monumental, em contraste com o estado de abandono e de destruição a que esta famosa casa chegou poucos anos depois de o Presidente Thomas Jefferson ter morrido, tendo até sido vendida em leilão público!

Foi uma família Judaica Portuguesa de nome Levy que comprou o Monticello e a conservou durante OITENTA e OITO ANOS, evitando assim a sua total destruição. A descoberta de que a família Levy era portuguesa deve-se ao historiador Humberto Carreiro, de Bristol, que há vários anos, quando foi visitar a sua filha a Virgínia, numa visita a Monticello, observou o nome português MACHADO na lápide da sepultura de Rebeca MACHADO Philips, que era mãe de Bachel Phillips Levy e avó de Uriah Phillips Levy, que no seu testamento deixou Monticello ao povo dos Estados Unidos.

Pesquisas sobre a genealogia desta família vieram a confirmar que se tratava duma família judaica sefárdica portuguesa. Curioso que, ainda há pouco tempo, havia em Faro, no Algarve, famílias de nome Levy e ainda hoje existem famílias Levy em Guimarães, no Norte de Portugal.


ESTÁTUA DA LIBERDADE

Antes de terminar a “Odisseia dos Judeus Sefárdicos Portugueses na América”, foi mostrado um diapositivo colorido da Estátua da Liberdade na Baía da Cidade de Nova Iorque. Na base desta famosa estátua, a maior do mundo, existe uma placa de bronze (1903) com um poema (de 14 versos) com o título “O Novo Colosso”, escrito por uma poetisa de nome Emma Lazarus, que era uma judia sefárdica portuguesa, sobrinha do célebre Juíz do Supremo Tribunal Americano de nome Benjamim Cardoso, também judeu sefárdico português!

CRISTOVÃO COLON

Para terminar, o Dr. Luciano declarou que o célebre navegador, que toda a gente confunde com Cristopher Columbus, ou Colombo, era na realidade um Judeu Sefárdico Português de nome Cristofõm Cólon, ou Salvador Fernandes Zarco, nascido em Cuba, Alentejo, Portugal.

Esta declaração foi seguida com a ajuda dos diapositivos coloridos, que descreveram uma visita à biblioteca do Vaticano, onde observamos as duas Bulas do Papa Alexandre VI, de 3 e de 4 de Maio de 1493, nas quais vemos, nitidamente, o nome de navegador escrito assim: CRISTOFÕM COLON.

Devemos notar que Colombo quer dizer “pombo”, mas o navegador não foi pombinho nenhum! Depois, analisámos a Sigla do navegador, na qual eu lembrei o facto de Cólon em grego ser igual a Zarco em Judaico, explicando a razão do nome Salvador Fernandes Zarco. A seguir, para confirmar este nome, analisámos o monograma do mesmo navegador, decifrado por minha mulher, Sílvia, e conclui com a análise das últimas doze cartas que o célebre navegador escreveu ao seu filho Diogo Cólon, nas quais em TODAS elas podemos observar: (1) a Sigla, (2) Monograma e (3) a Benção em judaico.

O próximo diapositivo foi dedicado ao Cônsul de Bordéus em França, Aristides Mendes, que salvou da morte muitos milhares de indivíduos, dando-lhes vistos para passarem por Portugal durante a II Guerra Mundial, entre os quais faziam parte mais de dez mil judeus.

O último diapositivo foi a fotografia do actual Presidente da República Portuguesa, Dr. Jorge Sampaio, que foi democraticamente eleito pelo povo português, sendo ele descendente de judeus sefárdicos portugueses! Este é o melhor exemplo para que daqui por diante acabemos, duma vez para sempre, com as diferenças e invejas entre judeus, católicos e muçulmanos.

Há investigadores que dizem que cerca de sessenta por cento da população portuguesa tem sangue judaico. Pois os judeus já viviam em terras lusitanas cerca de dois mil anos antes de Cristo nascer! É por isso que os nomes portugueses baseados em vegetais, árvores, rios e montanhas são derivados de nomes judaicos! Consulte o seu próprio nome de família para verificar se tem ou não origem judaica!

“The New Colossus”

Poem by Emma Lazarus; it was inscribed on a tablet in the pedestal in 1903.



Not like the brazen giant of Greek fame,
With conquering limbs astride from land to land;
Here at our sea-washed, sunset, gates shall stand
A mighty woman with a torch, whose flame
Is the imprisoned lightning , and her name
Mother of Exiles. From her beacon-hand
Glows world-side welcome; her mild eyes command.
The air-bridged harbor that twin cities frame.

"Keep ancient lands, your storied pomp!" cries she
with silent lips. "Give me your tired, your poor
Your huddled masses yearning to breath free,
The wretched refuse of your teeming shore.
Send these, the homeless, tempest-tost to me,
I lift my lamp beside the golden door!"

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O RETRATO DE MIGUEL CORTE REAL
Por Manuel Luciano da Silva, Médico

Todas as honras desta grande descoberta vão direitinhas para o Doutor Américo da Costa Ramalho, Professor da Universidade de Coimbra e especialista em Cultura Helénica e Humanista, em Portugal.

Foi este académico que descobriu um elogio em latim, contemporâneo de Miguel Corte Real, escrito pelo poeta italiano Cataldo Sículo, que residia temporariamente em Lisboa e foi publicado na colectânea POEMATA, em 1502.

Nunca ninguém tinha analisado este poema em relação ao navegador Miguel Corte Real. Logo no começo da sua monografia, o Professor Costa Ramalho alerta-nos:

“Não há dúvida nenhuma de que se trata do famoso Miguel Corte Real e traz, pelo menos, um subsídio histórico para sua biografia, até hoje não aproveitado.”

O poema consta de quarenta e quatro versos dedicado a “michaele curie regalis”, ou seja, a Miguel Corte Real. Vamos rever a tradução do referido poema feita pelo Professor Ramalho: O título do poema é, como acima se disse, “Dedicado a Miguel Corte Real”.

Nos primeiros versos, o poeta expressa a sua “humildade poética”, mas ao mesmo tempo revela bem claro o nome do protagonista como sendo descendente dos famosos Corte Reais.

Diz o poema:

“Foge-me o talento e a eloquência, apodera-se de mim o terror, quando tento dizer os feitos de tão grande capitão.”

“É aquele que tem o nome do príncipe celeste dos cavaleiros e a quem os antepassados legaram o apelido de Corte Real.”

“Tudo quanto faz é digno de triunfos, digno de ser posto em tábua de cedro.”

‘Avô e bisavô o tornaram nobre pelo sangue. E ele os adorava em todas as virtudes.”

“Ele tudo realiza, segundo o pensamento de quem lho ordena (o Rei).”

“Cavaleiro ilustre, ora actua como soldado, ora veste armas ligeiras. Em qualquer caso, a sua presença significa victória.”

RETRATO FÍSICO E CARÁCTER

E agora vêm os versos que nos dão em pormenor a aparência, o retrato físico e o carácter do famoso navegador Miguel Corte Real:

"É amável com pessoas amáveis, brando com brandos amigos, mas com os arrogantes torna-se bastante ríspido."

"Não aprendeu as belas letras na infância, mas ensinado pelo seu talento tudo sabe."

"De aspecto, é sereno e belo, e mais belo é o seu íntimo. Da sua boca eloquente jorra uma graça variada".

"Gosta de dar muito, com mão larga, a quem o merece e piedosamente se esforça por não prejudicar a quem o não merece".

PORTEIRO-MOR

Qual era a posição oficial de Miguel Corte Real? É Cataldo Sículo que nos informa:

"Talvez queiras saber qual é o ofício deste Senhor?

"O Rei confia-lhe todos os encargos. Principalmente como porteiro-mor do palácio sobre as muralhas, é ele quem, no meio do silêncio geral, manda trazer os alimentos."

"A este homem tão leal confia D. Manuel com razão os seus segredos, tão grande é a virtude que nele reside, tão grande a honra."

GUERREIRO

E agora vem a parte guerreira de Miguel Corte Real que era totalmente desconhecida:

"Passou às costas africanas em navios. Era o comandante. Preparava-se para aí conquistar uma fortaleza, pondo-lhe cerco".

"Fosse inveja, fosse o fado iníquo, a multidão dos companheiros entrega-se a vergonhosa fuga, sob a pressão do inimigo".

"Ele com uma pequena força , faz frente aos africanos que se precipitam ao ataque e retira coberto de sangue, depois de grande morticínio."

E o poeta Cataldo conclui o seu poema comparando o heroísmo de Miguel Corte Real aos heróis da Antiga Grécia.

O Professor Costa Ramalho faz uma análise pormenorizada dos vários dados revelados neste poema. Explica a origem do nome Corte Real que foi dado à Vasco Eanes, um dos antepassados de Miguel, pelos grandes serviços prestados à Corte Real presidida pelo Rei D. Duarte.

Confirma a posição de porteiro-mor da Casa Real, portanto uma das posições mais altas na Corte Portuguesa.

Explica que, apesar do verso que diz que Miguel Corte Real “Não aprendeu as belas letras na infância”, isso não quer dizer que o navegador era analfabeto! Quer dizer, isso sim, que Miguel Corte Real não sabia Latim. E o Professor Costa Ramalho acrescenta que isto é muito importante para darmos razão ao facto de Miguel Corte Real não ter deixado nenhuma mensagem em latim gravada na Pedra de Dighton. Esta conclusão é igual à que afirmei no meu livro “Portuguese Pilgrims and Dighton Rock”, publicado em 1971 e esgotado desde 1976.

Infelizmente, a mensagem que o psicólogo-historiador, Prof. Delabarre, da Universidade de Brown, sugeriu em 1928 de que Miguel Corte Real tinha deixado na Pedra de Dighton uma mensagem em latim = “V(oluntate) Dei Hic Dux Ind(orum)”, significando: “Chefe dos Índios aqui”, é uma FANTASIA que continua a ser repetida em muitas notas de rodapé, que na realidade são aquilo a que eu chamo “notas de chulé”!

Outra análise importante do poema de Cataldo é o facto de ficarmos a saber que Miguel Corte Real também foi guerreiro nas campanhas do Norte de África. Isto é muito importante para explicar a assinatura duma carta dele em 1501 dirigida ao Rei D. Manuel, que o próprio historiador Henry Harrisse teve dificuldade em entender, porque não tinha dados que explicassem que Miguel Corte Real jamais tinha estado em Málaga, Espanha, no ano antes de partir para a América do Norte, em 10 de Maio de 1502, à procura do irmão Gaspar Corte Real, que não tinha regressado a Lisboa da sua segunda viagem em 1501.

TEORIA PORTUGUESA DA PEDRA DE DIGHTON

O Professor Costa Ramalho conclui o seu trabalho desta maneira:

“Durante anos, a teoria prevalecente foi a do psicólogo, tornado historiador, Professor Edmund Burke Delabarre, que descobriu o nome de Miguel Corte Real, o Escudo Português e a data de 1511. Posteriormente (1951), um professor universitário de Português, José Dâmaso Fragoso (na New York University), revelou a existência de heráldica lusa no rochedo - três cruzes da Ordem de Cristo. E um médico de origem portuguesa, estabelecido nos Estados Unidos, o Dr. Manuel Luciano da Silva, tem sido o ardente propagandista da teoria de que o rochedo de Dighton é um documento histórico da presença de Miguel Corte Real nas costas da América do Norte. Ele nega a mensagem em latim, reduzindo o texto da inscrição ao nome do navegador e a uma data, 1511, além de um Escudo Português e três Cruzes da Ordem de Cristo”.

Fez, no dia 18 de Dezembro de 1998, OITENTA ANOS que o Professor Delabarre lançou a teoria portuguesa das inscrições portuguesas gravadas na Pedra de Dighton. Durante estas oito décadas, TODAS as investigações só têm servido para consolidarem cada vez mais a Teoria Portuguesa da Pedra de Dighton.

Claro que fiquei satisfeito com este artigo original do Professor Costa Ramalho, que chegou a ser “Visiting Professor” de Português na “New York University”, entre 1959-1962. Naquele tempo eu já era médico. Mas a “New York University” foi a minha primeira “alma matter”, onde eu me formei em biologia em 1952.

Devemos realçar ainda mais a importância da investigação original do Professor Ramalho pelo facto de ser BASEADA na ANÁLISE DUM DOCUMENTO CONTEMPORÂNEO DE MIGUEL CORTE REAL. Parabéns, ao ilustre Mestre!

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CAUSA ESPECÍFICA DA DOENÇA MACHADO-JOSEPH
Por Manuel Luciano da Silva, Médico

Houve, durante muitos anos, em certas localidades das ilhas dos Açores, uma enfermidade denominada pelo vulgo: Doença do Tropeção. O povo e até os médicos consideravam que esta doença devia ser devido à bebedeira ou então causada por doenças venéreas trazidas pelos tripulantes de New Bedford, Massachusetts, que andavam à caça da baleia no Atlântico Norte e deixavam a marca do seu mal nos Açores... As vítimas desta doença foram, durante muitos anos, ridicularizadas injustamente!

Em 1972, foram diagnosticados na área de Fall River os dois primeiros casos da Doença do Tropeção ou da Doença de Machado-Joseph.

O primeiro caso a ser descoberto foi o de William Machado, descendente de uma família da Bretanha na Ilha de São Miguel. O segundo foi de uma família chamada Thomas e logo a seguir apareceu outro caso no norte da Califórnia numa família chamada Joseph e daí o nome de Doença Machado-Joseph.

Em medicina há uma regra para se designar o nome da doença que se acabe de descobrir. Ou se usa o nome do médico que a descreveu há muitos anos, como por exemplo Doença de Parkinson (nome do primeiro médico inglês que descreveu esta doença), ou então usa-se o nome do primeiro doente no qual foi detectada a nova enfermidade. Neste caso, a ciência médica adoptou prestar homenagem aos últimos nomes dos dois doentes: Machado e Joseph.

CAUSA DA DOENÇA

Os doentes que sofrem desta doença Machado-Joseph têm um defeito na instalação eléctrica do seu sistema nervoso. Vamos saber em que parte e porquê.

Para compreendermos melhor o que se passa na Doença Machado-Joseph, devemos analisar primeiro a composição dos nossos nervos. Os nossos nervos são os nossos fios eléctricos.

Todos nós sabemos que um fio eléctrico é composto por duas partes: por dentro contém um fio de cobre, através do qual corre a corrente eléctrica, e por fora consiste de um invólucro de borracha ou plástico, que serve para isolar o fio eléctrico, evitando curto-circuito ao longo do fio.

Uma fibra nervosa tem exactamente a mesma composição de um fio eléctrico: por dentro o fio nervoso é composto por neurofibrilhas (fios fininhos) que conduzem a electricidade humana e por fora têm um invólucro isolador, que é a chamada membrana Schwann (nome do cientista que a descreveu primeiro), que serve para evitar o curto-circuito ao longo do nervo.

Se a membrana de Schwann é danificada, por exemplo por um vírus (como pode acontecer a borracha do fio eléctrico estalar ou queimar-se), a electricidade humana PERDE-SE ao longo dos tecidos e a pessoa fica parcial ou totalmente paralisada.

As pessoas que sofrem, por exemplo, de esclerose múltipla têm lesões na membrana de Schwann ou na “borracha do nervo”, de tal modo que a descarga eléctrica que saiu do cérebro, com a finalidade de fazer a pessoa caminhar ou fechar a mão, não chega aos respectivos músculos, por causa do CURTO-CIRCUITO QUE SE DÁ AO LONGO DA FIBRA NERVOSA e daí a paralisia parcial ou total.

INSTALAÇÃO ELÉCTRICA

Antes de analisarmos os sintomas da Doença Machado-Joseph, devemos rever um conceito fundamental: sem electricidade humana o nosso corpo não funciona. Fica parcialmente paralisado ou morre.

Por isso, devemos, ainda que duma forma esquemática, saber que a instalação eléctrica do nosso corpo é composta por três partes:

(1) cérebro e cerebelo, ou sistema nervoso central, que compõem o nosso maravilhoso computador central.

(2) medula ou cordão espinal (um cabo grosso) que está dentro da coluna vertebral.

(3) os nervos periféricos que ligam a medula ou cordão espinal a todas as partes do nosso corpo.

A ligar estas três partes do sistema nervoso existem milhões de fusíveis ou sinopses para evitar que a instalação eléctrica do nosso corpo se queime ou se estrague!

Quando falha a electricidade em nossas casas, imediatamente procuramos saber onde é a avaria: no fusível da entrada na nossa casa, no cabo eléctrico grosso na rua ou na central eléctrica?

Do mesmo modo, devemos perguntar: onde é que está o defeito na instalação eléctrica nos doentes com Machado-Joseph? O defeito eléctrico destes doentes está localizado na zona do sistema nervoso chamada: PONTE-OLIVO-CEREBELAR.

Onde fica isso? Na parte que liga a base do cerebelo à parte superior da medula espinal.

Vamos fazer outra comparação.

(1) Suponhamos que queremos ouvir rádio. O rádio, neste caso, é o nosso cérebro, que selecciona as várias estações.

(2) o rádio tem uma extensão eléctrica para a ligarmos à ficha da electricidade que está embutida na parede. Mas, depois de acendermos o rádio, ele não toca! Porquê? Pode não haver corrente eléctrica, nesse caso acendemos uma lâmpada para fazermos o teste. Mas a lâmpada acende. O defeito tem que ser então no fio da extensão que liga ao rádio. Temos que verificar que o fio não está partido ou que não tem defeito nenhum na borracha isoladora.

Se a extensão que está à mostra não tem defeito nenhum, só nos resta o bocadito de fio que já está dentro do corpo do rádio. Pois é aqui mesmo que vamos encontrar o defeito, o malzinho, para explicar porque é que o rádio não funciona bem. Este pedacito de fio eléctrico tem a BORRACHA QUEIMADA, não permitindo a corrente normal da electricidade chegar ao rádio propriamente dito! Esta PONTE eléctrica no rádio é semelhante à ponte eléctrica nos enfermos que têm a doença Machado-Joseph. Chama-se PONTE OLIVO-CEREBERAL ao local onde está o mal da doença que causa a enfermidade Machado-Joseph. De notar que é CEREBELAR de cerebelo, não do cérebro. Explicaremos mais adiante a importância da diferença.

No início da identificação da Doença de Machado-Joseph, os neurologistas de ambos os lados do Atlântico observaram que esta doença não se devia nem ao alcoolismo, nem às doenças venéreas. Por isso, começaram a pensar que se devia tratar duma doença hereditária que afectava especialmente o sistema nervoso.

Com este pensamento, iniciou-se uma corrida em muitos laboratórios de genética em todo o mundo para se descobrir em que cromossoma é que poderia estar o defeito para explicar a causa directa da Doença Machado-Joseph.

CROMOSSOMAS E GENES

Há três anos, os cientistas do Departamento de Farmacologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Kyoto, no Japão, anunciaram ao mundo que tinham descoberto um gene defeituoso no cromossoma número 14 que era responsável pela Doença Machado-Joseph.

O que é um cromossoma? É uma unidade genética que contêm a planta ou o plano arquitectónico para o desenvolvimento das características típicas de cada ser vivo.

O nosso corpo humano possui um total de uma centena de triliões de células. Cada uma das nossas células tem 46 cromossomas, com excepção das células genitais - esperma e óvulo (ovo) -, que têm 23 cromossomas cada. Quando se dá a fecundação, acerta-se outra vez o total de 46 cromossomas.

Para compreendermos melhor o que são cromossomas e genes, vamos fazer outra comparação à minha maneira.

Suponhamos que temos um pinheiro pequeno azulado do tipo de “blue-spruce”.

Este pinheiro tem 46 ramos que são equivalentes aos cromossomas. Mas cada ramo do pinheiro tem cerca de duas mil folhas ou agulhas. Portanto se contarmos as folhas ou agulhas todas, contidas nos 46 ramos do pinheiro, que consideramos equivalentes aos cromossomas, obtemos um total de CEM MIL folhas ou agulhas que são também equivalentes ao número total de genes nos 46 cromossomas!

Se os cientistas japoneses descobriram que o defeito da Doença Machado-Joseph está NUM gene (ou folha ou agulha) do cromossoma número 14, isto quer dizer que agora a ciência médica tem que aprender a manejar este GENE ESPECÍFICO entre os DOIS MIL E TAL GENES que existem no ramo ou cromossoma 14!

Os neurologistas já chegaram à conclusão de que a Doença Machado-Joseph é hereditária DOMINANTE. Isto quer dizer que um indivíduo que sofra desta doença transmite-a a 50% dos seus filhos. Mas com a descoberta do gene que está estragado, com exame pré-natal será possível contornar o gene no feto, tornando-o saudável e evitar a propagação da doença na linha descendente.

SINTOMAS DA DOENÇA

Agora que já compreendemos o mecanismo do defeito eléctrico e onde ele está no sistema nervoso, vamos analisar os sintomas da Doença Machado-Joseph.

ATAXIA. O primeiro sintoma da doença é ataxia. Ataxia é uma palavra grega que quer dizer “falta de ordem”, ou falha de coordenação muscular, ou, melhor dizendo, ALTERAÇÃO da electricidade!

Todos nós sabemos que dentro do nosso crânio temos o cérebro e o cerebelo. O cérebro, cerca de dois terços na parte da frente, é responsável pelo PENSAR e ANALISAR. O cerebelo, na parte posterior e inferior, é responsável por EQUILIBRAR e COORDENAR os nossos movimentos.

Portanto, os comandos da coordenação do nosso equilíbrio são da responsabilidade do CEREBELO. Se o defeito está na ponte que liga o cerebelo ao cabo da medula espinal, a electricidade não é transmitida normalmente nos doentes com Machado-Joseph.

Com esta destrinça compreendemos porque é que os doentes com a Machado-Joseph apresentam os movimentos desequilibrados, desordenados e caminham como se estivessem bêbados, tropeçam, porque a electricidade que chega aos seus músculos responsáveis pela deambulação têm uma intensidade diminuída, tal qual como por vezes acontece nas nossas casas quando a luz começa a pestanejar, aos tremeliques...

Mas na Doença Machado-Joseph o cérebro está intacto e, por isso, estes doentes mantêm as suas faculdades mentais normais. As funções urinárias e fecais também estão intactas. Se houver algum percalço, é porque a pessoa não pode chegar a tempo à retrete devido aos músculos das pernas não funcionarem normalmente e, portanto, não caminharem normalmente.

Os outros sintomas que vão aparecendo gradualmente têm todos explicação na diminuição do impulso normal eléctrico, quer originado no cérebro ou no cerebelo.

Daí aparecem sintomas como diminuição dos músculos voluntários, mas também nos músculos dos olhos, da fala, (disartria), da deglutição, os músculos em geral ficam fracos (atrofia), e a pouco e pouco os doentes têm que usar cadeira de rodas.

Os sintomas da doença podem começar desde os vinte anos até aos cinquenta. A pessoa começa a caminhar como se estivesse bêbada. Depois apresenta movimentos e gestos bruscos, não só nas pernas mas também nos braços e nas mãos. Tem tremores nas mãos. Não se segura bem em pé. Estes doentes têm também dificuldade na visão. Não vêem bem para os lados.

A Doença de Machado-Joseph pode muito facilmente ser confundida com a Esclerose Múltipla. Mas é fácil fazermos o diagnóstico diferencial. As pessoas com a Doença de Machado-Joseph não têm incontinência ou incapacidade urinária ou fecal.

A longevidade média da pessoa que contrai a Doença de Machado-Joseph é de 15 anos e meio. Portanto, quanto mais tarde a doença aparecer, melhor.

É importante fazer-se o diagnóstico certo da Doença de Machado-Joseph. Não se deve confundir esta doença com a Doença de Parkinson. Também devemos fazer o diagnóstico diferencial da Esclerose Múltipla ou da Coreia de Huntington, porque, apesar de tudo, a Doença de Machado-Joseph é melhor do que as outras doenças, quer dizer, tem melhor prognóstico, as pessoas vivem mais anos.

O Professor Francis Rogers, que foi professor de Português na Universidade de Harvard, quis meter o nariz onde não era chamado e chegou a propor, quando era vivo, para a doença se chamar Doença dos Açorianos. Eu protestei, escrevi várias cartas para vários lados, porque já sabia da literatura médica mundial que a Doença Machado-Joseph existe em todas as raças: na Europa, na América, na China, no Japão, etc. Não devemos de maneira nenhuma chamar a esta doença “Doença Açoriana”, até porque os primeiros casos foram do Continente para os Açores na altura do povoamento do Arquipélago!

A explicação que se dá é que a doença apareceu pela primeira vez em determinado ponto do globo porque houve uma mutação ou mudança no gene do cromossoma 14, isto é, a folha ou agulhinha do ramo 14 do “blue spruce” - por razões que se desconhecem - secou ou começou a ficar defeituosa e depois esse defeito foi captado pelas das pinhas do “blue spruce” e daí transmitido às outra gerações de pinheiros...

Quem quiser saber mais informação actualizada sobre o número de pessoas que existem no Continente e nos Açores com a Doença Machado-Joseph, pode escrever à Professora Doutora Paula Coutinho, Departamento de Neurologia, Hospital de Santo António, Porto, Portugal. Nos Açores, podem contactar a Professora Doutora Maria Manuela Lima, Departamento de Antropologia, Universidade dos Açores, Ponta Delgada, São Miguel, Açores.

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MATARAM O INFANTE D. HENRIQUE!
Por Manuel Luciano da Silva, Médico

Há 2.395 anos, o grande filósofo grego Platão fundou, em Atenas, a sua Escola de Filosofia chamada “Academia”, porque ele dava as aulas, ao ar livre, num jardim chamado “Academus”. Os seus alunos chamavam-se “peripatéticos” porque caminhavam à volta do jardim. Hoje não existem vestígios nenhuns da Escola de Platão, mas ninguém duvida que ela existiu.

Há 2.345 anos, Aristóteles, o aluno mais famoso de Platão, começou a sua Escola de Filosofia, num jardim chamado “Lyceum”, e daqui nasceu o nome Liceu que se usa pelo mundo fora. Hoje não existem nenhuns vestígios do “Lyceum de Aristóteles”, mas ninguém duvida da sua existência.

Há 580 anos, em 1418, o Infante Dom Henrique, que foi Duque de Viseu, Administrador da Ordem de Cristo e Governador do Algarve, fundou a Escola de Navegação em Sagres, ao sul de Portugal. Ainda hoje existem os edifícios da Escola Náutica e a gigantesca Rosa dos Ventos, no Promontório de Sagres, a confirmar, irrefutavelmente, que a Escola Náutica de Sagres existiu.

O Infante D. Henrique foi a figura portuguesa que mais influenciou os destinos da história gloriosa de Portugal. A Escola de Navegação em Sagres tornou-se o Centro Científico do mundo do século XV. Foi na Escola de Sagres que se estudou profundamente a navegação por meio da Astronomia (Estrela Polar e o Cruzeiro do Sul), as correntes marítimas do Atlântico e os ventos dominantes, (no Norte --> no sentido dos ponteiros do relógio; no Sul --> contra relógio) e se impulsionou ao mais alto nível a cartografia portuguesa.

A MINHA LUA-DE-MEL

A minha noiva nasceu em Santana de Cambas, concelho de Mértola, distrito de Beja. Portanto, é alentejana. Ambos os pais dela eram professores de instrução primária e ela também tirou o mesmo curso na Escola do Magistério Primário de Faro. Porque o pai era oriundo do norte de Portugal, ela veio para o norte ensinar e eu lancei-lhe o anzol e casámos na Sé do Porto, em 17 de Setembro de 1960.

Como já naquele tempo eu me interessava pelo estudo dos Descobrimentos portugueses, concordámos em passar a nossa lua-de-mel no Algarve. Já lá vão 38 anos! Mas que enorme diferença existe agora no Algarve! Basta dizer que naquela altura só havia, em todo o Algarve, apenas dois hotéis, um na cidade de Faro e outro em Portimão.

A minha noiva tinha-me dito maravilhas do Algarve, do grande contraste que existia com o norte, mas eu também quis juntar o útil ao agradável, e verificar os sete castelos algarvios que existem na Bandeira de Portugal, ver o Castelo de Castro Marim, primeira sede da Ordem de Cristo, assim como Tavira, naturalidade dos Corte Reais, Lagos, donde saiu Gil Eanes e, claro, o Promontório de Sagres. Cumprimos à risca o nosso plano e valeu a pena!

A paisagem algarvia, as praias, as vilas e cidades eram naquele tempo um sossego e de uma paz impressionantes! Nas estradas viam-se mais burrinhos e carroças do que automóveis, muitos gerânios e medronheiros nas bermas. Fiquei com a impressão de que o Algarve tinha estado a passar uma sesta muito duradoira, de centenas de anos!

Confesso que, à medida que nos aproximávamos do Promontório de Sagres, sentia uma grande expectativa, por ir visitar pela primeira vez a Escola Náutica do Infante D. Henrique!

No nosso Peugeot 403, chegámos ao Promontório de Sagres, no dia 24 de Setembro de 1960. Não estava lá ninguém. A porta da fortaleza encontrava-se aberta e não pagámos entrada. O recinto da famosa Escola do Infante D. Henrique tinha um aspecto abandonado e de desprezo! No chão só se viam ervas daninhas, secas como se aquele lugar sagrado fosse um deserto! Todos os edifícios estavam fechados, mesmo a capela de Nossa Senhora da Graça!

O relógio de sol, no patamar da fortaleza, não mostrava as linhas horárias, porque estavam cobertas de musgo. A gigante Rosa dos Ventos, em frente ao edifício da Escola, apresentava os cordões de ferro partidos e enferrujados e os pilares de pedra que delineavam a circunferência estavam adornados de ervas bravas.

Era um lugar ermo! Impressionante pela sua solidão e pelo seu tamanho grande! Até aterrador! Calculei o que seria aquele promontório, tão desolado durante o Inverno, com vento a zunir, acompanhado de raios e trovões, tornando as ondas do Atlântico furiosas, espargindo a sua água salgada pelas paredes altas do cabo! Que lugar medonho! Seria assim no tempo do Infante D. Henrique? Seria ali que o Navegador passou tempos infinitos a contemplar aquele mar tenebroso e pensar como é que os seus marinheiros deviam fazer para conquistar e dominar aquele gigante mar desconhecido?!

Fiquei triste ao observar tamanha desolação por aquele lugar que eu esperava estivesse protegido e acarinhado. Não compreendi porque é que, no princípio do mês de Setembro de 1960, o Governo Português tinha realizado, na Universidade de Lisboa, o Primeiro Congresso Internacional dos Descobrimentos, com toda a pompa e circunstância, só para bradar aos céus e a todo o mundo a grandiosidade dos Descobrimentos portugueses, quando afinal desprezava por completo o maior símbolo desses mesmos descobrimentos que é o campo “académico” da Escola Náutica em Sagres!

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MATARAM O INFANTE D. HENRIQUE
por Manuel Luciano da Silva, Médico
 

Depois da nossa lua-de-mel, já visitámos o Promontório de Sagres onze vezes! Até algumas vezes acompanhados dos nossos dois filhos! A última vez que lá fomos foi no Domingo, 20 de Setembro de 1998. Fomos acompanhados por um grupo de cinquenta pessoas, membros da Associação Médica de Profissionais de Saúde Luso-Americanos, da qual sou presidente; estávamos no sul de Portugal para participarmos na Quinta Convenção Internacional Médica, nos Hospitais de Faro, Beja e Évora.

Coordenando a parte médica com a turística, o nosso grupo quis visitar também a Escola de Sagres. A nossa guia em Lagos fez explicações entusiásticas em frente à Estátua de Gil Eanes, como sendo nativo de Lagos e que afinal passou o Cabo Bojador, destruindo para sempre a lenda do “Mar Tenebroso”. Depois, em frente à Estátua do Infante D. Henrique, também em Lagos, relatou, com muita genica, o aspecto científico da Escola fundada pelo Infante D. Henrique, de tal maneira que, quando todos entrámos na camioneta, sentimos um crescendo de entusiasmo e curiosidade para vermos realmente essa instituição centenária que tanto impacto teve na História do Mundo.

A primeira coisa que notei quando chegámos à fortaleza de Sagres foi de que a entrada estava vedada. Tivemos que pagar bilhete. Bom, pensei, parece que isto já tem mais ordem. Uma vez dentro do recinto da fortaleza, parámos em frente à grande Rosa dos Ventos. Eu tinha pedido à guia para ser eu a explicar em inglês aos meus colegas qual era o seu significado e a relação que tinha com a Escola dos Descobrimentos. Posto isto, em menos de três minutos, estávamos todos a caminho da entrada do edifício que é considerado a Escola propriamente dita. Íamos com grande expectativa de vermos coisas e instrumentos do tempo do Infante D. Henrique e dos seus marinheiros, todos relacionados com a epopeia dos Descobrimentos!

Mas o impossível, o inacreditável é que nos recebeu dentro da Escola Náutica! Fomos roubados! Velhacaria! A primeira vez que paguei entrada e não nos mostraram ABSOLUTAMENTE NADA de Descobrimentos!

Sabem o que é que tinham dentro do edifício? Uma exposição fotográfica de vários arquitectos portugueses. (E eu não tenho nada contra os arquitectos, pois o nosso filho mais velho é arquitecto.)

Não havia ABSOLUTAMENTE NADA exposto dentro da Escola Náutica que estivesse relacionado com Descobrimentos. Nem um mapa antigo, nem um astrolábio, nem uma bússola, nem um simples modelo duma caravela, nem uma simples corda, nem sequer uma âncora! Que situação lastimosa! Que coisa horrível! Ficamos todos desolados e desapontados!

Não se compreende esta situação, uma vez que este ano Portugal está tão empenhado em glorificar os Descobrimentos, com ênfase especial no descobrimento do caminho marítimo para a Índia, que foi afinal o sonho, o objectivo principal do Infante D. Henrique!

Esta é uma situação deplorável de ludíbrio, de engano, de vender gato por lebre aos visitantes. Como ficariam as pessoas se ao visitarem o Museu dos Astronautas Americanos no Cabo Kennedy, em vez de foguetões, cápsulas, fardamentos dos astronautas, fotografias espaciais, encontrassem lá uma exposição fotográfica dos arranha-céus de Nova Iorque, de Chicago e de Washington?!

Na Escola Náutica de Sagres, nem sequer lá tinham uma simples pintura do Infante D. Henrique! Mataram-no! Assassinaram o Infante! Malvados irresponsáveis! Haveis de ter um lindo enterro! E quando morrerdes, ireis todos direitinhos pró inferno! Amén! Assim seja!

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PARTIRAM O NARIZ AO INFANTE D. HENRIQUE !
Por Manuel Luciano da Silva, Médico

Gosto muito da Ilha de São Miguel. Já lá fui cinco vezes. Fico sempre deslumbrado com os contrastes das belezas naturais verdejantes e a grandiosidade dos cones e das crateras vulcânicas, quer das Sete Cidades, quer da Lagoa do Fogo!

Ao contemplar aqueles tão majestosos panoramas, medito por instantes, quão ruidosas e monstruosas deviam ter sido as lavas incandescentes, originadas das entranhas da Terra, para dar forma àqueles montes e vales, contornados suavemente e curados pelo tempo de muitos milhares, senão milhões, de anos!

De qualquer lugar em São Miguel podemos observar a interligação íntima que existe entre os elementos da Natureza - o mar, céu, nuvens, bocas de vulcões, montanhas, elegantes criptomérias, vacas bucolicamente pastando nas encostas dos montes, pincelados com paredes coloridas de hortenses - por toda esta beleza sui generis, eu desejava ser poeta para fazer rimar e declamar toda aquela maravilha paradisíaca que nos estimula tão profundamente para perguntar a nós mesmos, onde está o Poder Omnipotente que criou tamanha majestade?!

VILA FRANCA

De todas as povoações de São Miguel, aquela por quem tenho uma simpatia especial é Vila Franca do Campo. Gosto do seu nome: Franca. É um nome positivo e convidativo. Mas além disso fascina-me a sua história, por estar ligada ao Príncipe Dom Henrique, porque foi ele que deu ordem para que se construísse ali a primeira igreja nos Açores, dedicada a São Miguel, e se fizesse de Vila Franca a primeira capital dos Açores. O Arcanjo São Miguel é também padroeiro de Oliveira de Azeméis, no Continente, onde eu fiz a minha Primeira Comunhão! Curioso que o Santo-mor da Capela da Universidade de Coimbra, onde me formei (1957), também é o Arcanjo São Miguel!

Cativa-me também a história melodramática de Vila Franca, por causa das destruições que sofreu devidos aos fortes abalos sísmicos nos anos de 1552 e de 1591. Mas o espírito indomável das suas várias gerações ressuscitou das suas cinzas e escombros, como fénixes, construindo e criando, como podemos constatar hoje, uma bela vila-cidade, com um panorama deslumbrante desfrutado do Santuário Rural da Nossa Senhora da Paz.

Dali do alto, observamos o casario com os seus telhados avermelhados, constratando com o verde dos campos, das protecções das quintas, feitas de faias ou incensos, das plantações de bananeiras e do branco das estufas de ananases, como a lembrar, no seu conjunto, as cores garridas da Bandeira de Portugal! E no mar azul, está, muito quieto, o célebre Ilhéu, tal qual um gigante adormecido, pronto a proteger Vila Franca!

O povo de Vila Franca é crente e tem fé, como mostra nas suas procissões e festividades. Mas também é alegre e divertido, como vemos nas suas danças populares. Revela ainda o seu poder artístico criador na produção de belas peças de cerâmica, como podemos observar no Museu Etnográfico de Vila Franca.

MONUMENTOS HISTÓRICOS

Deve-se aos lidadores religiosos e cívicos um conjunto de monumentos históricos que muito dignificam Vila Franca: Câmara Municipal, Matriz, Misericórdia (com a Igreja Nosso Senhor Bom Jesus da Pedra), o Jardim Público Antero de Quental, a estátua do Fundador Gonçalo Vaz Botelho (o Grande), o Monumento ao célebre Bento de Góis e ainda o busto Dr. Simas, médico benemérito, que tive o prazer de conhecer em 1966, aquando da minha primeira visita a São Miguel.

Mas o monumento que mais me encanta de Vila Franca é a estátua do Infante D. Henrique, feita de calcário branco pelo Mestre Simões de Almeida (Sobrinho) , inaugurada em 1932, para comemorar o V Centenário da descoberta dos Açores e colocada à beira-mar, mesmo em frente ao Ilhéu da Vila.

De todas as estátuas que conheço do Infante D. Henrique, esta é aquela que para mim mais revela profundamente o poder de pensamento e de concentração que o célebre Infante devia ter tomado muitas vezes no Promontório de Sagres, onde tinha a sua Escola Náutica de Navegação.

É impressionante e imponente o contraste da estátua de calcário branco, colocada num sopé de basalto negro, de origem vulcânica, meditando atentamente o Ilhéu, como que se estivesse a desafiar o Adamastor, a quem o Infante D. Henrique queria destruir com a sua persistência em mandar Gil Eanes, natural de Lagos, a dobrar o Cabo Bojador, em 1434.

Existe, na cidade de Fall River, Massachusetts, uma cópia de bronze da estátua de mármore do Infante D. Henrique igual à que está em Vila Franca do Campo. Foi inaugurada em 1940, para coincidir com a comemoração do Centenário da Fundação de Portugal. Foi um micaelense emigrante, de nome José Silva, que muito lutou para que a estátua fosse colocada no centro de Fall River. E ainda lá está hoje.

Foi a face desta estátua do Infante D. Henrique que eu escolhi para abrilhantar a capa do meu livro: “Os Pioneiros Portugueses e a Pedra de Dighton”. Talvez por isso ambas as edições, tanto portuguesa como americana, estão esgotadas, há mais de vinte anos!

Calculem a minha tristeza quando, no dia 5 de Setembro de 1998, no mesmo dia em que celebrava 72 anos, ao visitar Vila Franca, acompanhado de minha mulher, Sílvia, e do meu colega de curso, Dr. Valdemar Lopes Pereira e sua Esposa, Dona Adriana, fomos visitar a célebre estátua do Infante D. Henrique, à beira-mar, em Vila Franca do Campo.

Eu seguia todo contente, porque sentia que ir ver outra vez um velho amigo sincero, que já não via, desde 1966 - há 32 anos! - e o qual me tinha servido de inspiração para eu conduzir as minhas pesquisas sobre os Descobrimentos portugueses.

Qual não foi a minha emoção e a minha profunda tristeza quando, ao preparar a minha máquina fotográfica, vi que à célebre estátua, àquela obra-prima, lhe tinham partido o nariz!

Malvados! Assassinos! Quem teria sido o tresloucado que cometeu tamanho crime?! Fiquei raivoso e furioso de comoção! Que lástima! Que traição! Que falta de patriotismo! Lembrei-me logo da tragédia semelhante que aconteceu, há vários anos, ao nariz da célebre estátua “Pietà”, de Miguel Angelo, que está à entrada direita da Catedral de São Pedro, em Roma! Mas o nariz desta estátua foi reconstruído e agora a “Pietà” está dentro duma redoma de vidro inquebrável. O maluco que fez tal dano foi para um sanatório de doentes mentais.

E tu, Infante D. Henrique, que foste quem mandou gado cabrum, vacuum e porcuum para os Açores! Tu, Infante D. Henrique, que foste o Donatário dos Açores, Administrador da Ordem de Cristo, Governador do Algarve, que mandastes “povoar este Arquipélago”, não tens agora ninguém que te lave a cara e te faça cirurgia plástica ao nariz?!

Ou toda esta tragédia não passa dum pesadelo meu?

 

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