MONUMENTOS HISTÓRICOS
Deve-se aos lidadores religiosos e cívicos um conjunto de monumentos históricos que muito dignificam Vila Franca: Câmara Municipal, Matriz, Misericórdia (com a Igreja Nosso Senhor Bom Jesus da Pedra), o Jardim Público Antero de Quental, a estátua do Fundador Gonçalo Vaz Botelho (o Grande), o Monumento ao célebre Bento de Góis e ainda o busto Dr. Simas, médico benemérito, que tive o prazer de conhecer em 1966, aquando da minha primeira visita a São Miguel.
Mas o monumento que mais me encanta de Vila Franca é a estátua do Infante D. Henrique, feita de calcário branco pelo Mestre Simões de Almeida (Sobrinho) , inaugurada em 1932, para comemorar o V Centenário da descoberta dos Açores e colocada à beira-mar, mesmo em frente ao Ilhéu da Vila.
De todas as estátuas que conheço do Infante D. Henrique, esta é aquela que para mim mais revela profundamente o poder de pensamento e de concentração que o célebre Infante devia ter tomado muitas vezes no Promontório de Sagres, onde tinha a sua Escola Náutica de Navegação.
É impressionante e imponente o contraste da estátua de calcário branco, colocada num sopé de basalto negro, de origem vulcânica, meditando atentamente o Ilhéu, como que se estivesse a desafiar o Adamastor, a quem o Infante D. Henrique queria destruir com a sua persistência em mandar Gil Eanes, natural de Lagos, a dobrar o Cabo Bojador, em 1434.
Existe, na cidade de Fall River, Massachusetts, uma cópia de bronze da estátua de mármore do Infante D. Henrique igual à que está em Vila Franca do Campo. Foi inaugurada em 1940, para coincidir com a comemoração do Centenário da Fundação de Portugal. Foi um micaelense emigrante, de nome José Silva, que muito lutou para que a estátua fosse colocada no centro de Fall River. E ainda lá está hoje.
Foi a face desta estátua do Infante D. Henrique que eu escolhi para abrilhantar a capa do meu livro: “Os Pioneiros Portugueses e a Pedra de Dighton”. Talvez por isso ambas as edições, tanto portuguesa como americana, estão esgotadas, há mais de vinte anos!
Calculem a minha tristeza quando, no dia 5 de Setembro de 1998, no mesmo dia em que celebrava 72 anos, ao visitar Vila Franca, acompanhado de minha mulher, Sílvia, e do meu colega de curso, Dr. Valdemar Lopes Pereira e sua Esposa, Dona Adriana, fomos visitar a célebre estátua do Infante D. Henrique, à beira-mar, em Vila Franca do Campo.
Eu seguia todo contente, porque sentia que ir ver outra vez um velho amigo sincero, que já não via, desde 1966 - há 32 anos! - e o qual me tinha servido de inspiração para eu conduzir as minhas pesquisas sobre os Descobrimentos portugueses.
Qual não foi a minha emoção e a minha profunda tristeza quando, ao preparar a minha máquina fotográfica, vi que à célebre estátua, àquela obra-prima, lhe tinham partido o nariz!
Malvados! Assassinos! Quem teria sido o tresloucado que cometeu tamanho crime?! Fiquei raivoso e furioso de comoção! Que lástima! Que traição! Que falta de patriotismo! Lembrei-me logo da tragédia semelhante que aconteceu, há vários anos, ao nariz da célebre estátua “Pietà”, de Miguel Angelo, que está à entrada direita da Catedral de São Pedro, em Roma! Mas o nariz desta estátua foi reconstruído e agora a “Pietà” está dentro duma redoma de vidro inquebrável. O maluco que fez tal dano foi para um sanatório de doentes mentais.
E tu, Infante D. Henrique, que foste quem mandou gado cabrum, vacuum e porcuum para os Açores! Tu, Infante D. Henrique, que foste o Donatário dos Açores, Administrador da Ordem de Cristo, Governador do Algarve, que mandastes “povoar este Arquipélago”, não tens agora ninguém que te lave a cara e te faça cirurgia plástica ao nariz?!
Ou toda esta tragédia não passa dum pesadelo meu?
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